Por:
Maria Eduarda Dornelles de Oliveira: Mestranda do PPG Enfermagem – Mestrado profissional da UFCSPA. Enfermeira assistencial da Santa Casa de Uruguaiana e da UPA Zilda Ams Uruguaiana, RS, Brasil.
A liderança não representa um ponto de chegada na trajetória profissional, mas um caminho construído por meio de aprendizados diários, da escuta e da coragem. Há pouco tempo, antes de ingressar no mestrado profissional e cursar a disciplina de Liderança, eu desconhecia as diversas camadas que constituem um verdadeiro líder. Para mim, liderar significava ocupar um cargo ou exercer uma posição hierárquica. Hoje, compreendo que a liderança está muito mais relacionada à postura e à capacidade de inspirar e influenciar pessoas, promovendo um ambiente em que todos possam trabalhar de forma colaborativa e alcançar seu potencial máximo em prol de objetivos comuns. Ser líder é assumir essa postura e seguir em frente com disposição, mesmo diante das incertezas que fazem parte da trajetória.
Ao longo das aulas da disciplina, também aprendi que coragem não significa ausência de medo, mas a decisão de continuar caminhando apesar dele. Desde a infância, somos ensinados a acreditar que não podemos demonstrar medo ou fragilidade, pois isso nos tornaria vulneráveis diante dos outros. Entretanto, como afirma Brené Brown, em seu livro A coragem para liderar (Ed. BestSeller, 2026), não é possível alcançar a coragem sem abraçar a vulnerabilidade. Dessa forma, é preciso olhar para as próprias dificuldades, reconhecer os medos, os defeitos, as potencialidades e as fragilidades para aceitá-los, aprimorá-los e encontrar a coragem necessária para crescer.
No decorrer das aulas, pouco a pouco, a “cortina de fumaça” que encobria a temática da liderança foi sendo dissipada, revelando a estreita relação entre conhecer a si mesmo e liderar. Passei a refletir sobre quem sou e sobre a profissional e a pessoa que desejo me tornar. Cada aula, cada atividade, cada ferramenta e cada situação discutida trouxe aprendizados que levarei comigo, especialmente para mobilizar e aplicar onde exercer a minha profissão. Entre esses ensinamentos, destaca-se a importância de aceitar a minha autenticidade e fortalecer a líder autêntica que estou me tornando.
Hoje, compreendo que ser líder é assumir um compromisso com a coragem, com o cuidado e com a responsabilidade de evoluir sem perder a sensibilidade e a honestidade. É permitir que a liderança floresça e acreditar que ainda é possível fazer a diferença em um mundo tão complexo e caótico, pois, como enfermeira, desejo fazer com que minha equipe também acredite em uma enfermagem protagonista e capaz de compreender que, juntos e preparados, somos muito mais fortes.
No início da disciplina, respondi a um questionário sobre o perfil de forças de caráter. Essa atividade foi fundamental para a minha construção pessoal e para o início dessa nova trajetória, pois me permitiu perceber que características que antes eu considerava fraquezas, na verdade, constituem parte da minha identidade como líder. Durante muito tempo, considerei-me “boazinha demais” e muito honesta. Essas características, em diversos momentos, fizeram com que eu sofresse e questionasse meu modo de agir. Contudo, após a última aula, percebi que essas características representam uma fortaleza. Tenho facilidade para conduzir conversas difíceis e dizer a verdade quando necessário, mesmo em situações desconfortáveis, fazendo isso com naturalidade.
Outro aspecto que reconheci como parte da minha identidade é o amor e a humanidade nas relações interpessoais, além do amor pelo aprendizado, especialmente na enfermagem, que impulsiona a minha trajetória. O desejo de aprender, desenvolver novas competências e evitar a estagnação dá sentido aos meus dias e me motiva a seguir em frente de forma incansável. Também reconheço a gratidão como uma força que me acompanha, assim como a perseverança, principalmente em concluir aquilo que inicio, as tarefas e metas.
Por fim, compreendo que a liderança que habita em mim não é aquela que nasceu pronta, mas a que vem sendo construída diariamente por meio das minhas escolhas, uma liderança sustentada pela autenticidade e pela coerência entre aquilo que digo, aquilo que faço e quem eu acredito ser.
REFERÊNCIAS
1. da Rosa PMP, da Silva DB, Costa SR, Bernanrdi K, Teixeira MH, Martino MRP. A lıderança e suas ımplıcações na equıpe de enfermagem: revısão ıntegratıva. LEV [Internet]. 30 de abril de 2026 [citado 16 de julho de 2026];17(59):e12973 . Disponível em: https://periodicos.newsciencepubl.com/LEV/article/view/12973
2. Brené Brown. A coragem para liderar: trabalho duro, conversas difíceis, corações plenos. 32. ed. Rio de Janeiro: BestSeller, 2026.
3. VIA INSTITUTE ON CHARACTER. https://www.viacharacter.org/about